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Charles Chaplin - O ultimo discurso de O grande ditador



Sábias palavras desse grande gênio.

Um bom momento para reflexão, não é mesmo?!!!

Os Fulanos - Vídeo Sensacional

Eu não costumo postar vídeos, pois a tônica das Memórias não é exatamente o humor. Mas ontem, assistindo ao Programa do Jô, decidi que esse eu não poderia deixar de compartilhar com vocês, leitores. Mesmo porque esse vídeo, com certeza, ficará nas minhas memórias. Fiquei com a barriga doendo de tanto que ri...

Os Fulanos - dupla de atores comediantes, formada pelos gaúchos Décio Ferret, de Pelotas, e Pul Barreto, de Dom Pedrito, RS.

Seguem as duas últimas partes dos vídeos da entrevista deles no Programa do Jô, exibida em 15/12/2009.















Para outros vídeos, acesse também o blog de Os Fulanos no endereço:

http://www.osfulanos.com.br/

A Essência da Poesia

Hoje não vou me preocupar se estou sendo simplório ou não, nem se uso ou não um estilo demasiado rebuscado. Hoje vou me ater a descrever, ao menos, as estranhas sensações por que passam os poetas. Sim, porque descrevê-las a rigor seria uma blasfêmia, uma tentativa vã de profanar aquilo que é o mais sagrado na religião do Poeta: a Inspiração.

Mas ainda vou tentar lançar uma luz sobre essa palavra. Inspirar, em latim, é sorver o ar para dentro.  E o que isso representa para um poeta??

Muitos poderão, e já o fazem, falar que poetas são melosos, manipuladores, vãos sedutores, lunáticos, malucos. Outros poderão se arvorar em renitentes dos anos de 1950 e dizerem que poetas são poetas por não terem mais o que fazer.

Todo essa introdução, esse mini-prólogo, foi para apresentar um texto que fiz há dois anos, perdido nas pilhas de cadernos de anotações antigos, que ainda estão por ser revistos, para tentar explicar a mim mesmo o que era essa maluquice pessoal, chamada Poesia.



PREFÁCIO À POESIA


"Palhoça, 16 de setembro de 2007, 20:55h.

São quase nove horas da noite, e ainda não entendi bulhufas daquilo que eu mesmo escrevi, ao que me atrevo chamar de poesia. São três estrofes subjetivas demais, ao que me parecem incoerentes e desconexas. Fico tentando entender, me perguntando mesmo porque estaria passando meu tempo, aqui, a escrever incoerências. Será que um poeta não teria nada mais o que fazer? Mas, de uma coisa eu tenho certeza: não são apenas pensamentos doidos. São muito mais do que pandorgas ao vento...

O Poeta é um ser estranho: ri de tudo ou chora por tudo. Não consegue ser indiferente a nada, a não ser à própria indiferença. Para ele, a indifernça é algo que não foi realizado em sua essência. A indifernça é aquele estado de coisas que sucede ao aborto de um desejo, e tem aquela cara da Megera das histórias de Medéia. Medéia frustra-se com o desamor de Jasão e procura as Megeras para vingar-se daquilo que não foi.

Para fugir à indiferença e sua tentação relativista e preguiçosa de olhar para o mundo, o Poeta suga todo o Ar ao seu redor, inspira o que lhe estiver vizinho. Sublima tudo aquilo, como em uma Alquimia cardeal, e expira o mesmo ar com impressões diversaS da realidade. Ele traz sonhos à tona. Todo o Mundo Astral e elemental da Natureza humana lhe está disposto, em sua mesa de Mágicas. Então, como num passe de Mágica, suas mãos tecem bordados de flores, linhas de pandorga, cubos de cera. Produz mel de um pote de água e distribui ao seu colibri, seu Pássaro Vestal, para transmutar tudo que está definhando, para catalizar sua própria dor em estar preso em uma jaula de carne e ossos, jaula essa com prazo de validade em contagem regressiva. Então, brincando e rindo-se de si e de seus feitos, o Poeta bagunça tudo que está arrumado, despedaça o que se cristalizou.

O Poeta tem uma religião: o Poeticismo. Poeticismo não é Musismo (culto às Musas), pois as Musas lhe são guarida e protetoras, mas não lhe são por senhoras. Poeticismo é a prática diária de estar perplexo e relatar, em atas congêneres, o resultado desse transe. Esse transe é o inspirar do ar intragável para a maior parte da humanidade doente (em que ele também se inclui), sentir sua dor, e transmutá-la em sons harmônicos. Pois, até da Dor nasce a Harmonia, até no lodo nasce flor!!

O Poeta aprende a reconhecer o brilho nos olhos das pessoas. E não é esse brilho simples de paixão ilusória, de quem acaba de encontrar "a pessoa de sua vida", ou o "salvador de seu mundo". Ele sabe reconhecer, sim, o olho da mudança, o furacão se aproximando, trazendo mudanças. Ora, o furacão é indomado. Contra ele, nada podemos. Então, ele por nós passa, ameaçador, nos refresca, nos sacode, tira tudo do lugar, e ficamos maravilhados com todo esse Poder. Esse é o brilho nos Olhos pelo qual o Poeta procura. Porque ele próprio tem a mesma ânsia do furacão: purgar, limpar o terreno para que tudo possa vir a ser reerguido!!

O Poeta aprendeu que não se deve escrever apologias, mas sim analogias. A essência da Poesia é a metáfora. Um Poeta não escreve "Eu te amo" simplesmente para dizer "Eu te amo". Nas entrelinhas, há muito mais que essas três palavras. Ele escreve códigos, destila letras soltas nas rimas, arranjadas propositalmente, para que o Amor do "Eu te amo", aparentemente genérico, tenha sentido único para quem o leia. É como se ele inserisse, em cada estrofe ou poesia, uma equação, que determinasse qual sentido terá para quem leia.

Enfim... o Poeta deixa pistas, para que todos encontrem com sabor, o que ele próprio gerou a partir de um sofrimento. Não digo sofrimento apenas como dor, mas como parto daquilo que estava engasgado na goela da alma, daquilo que a Alma do Mundo vive, desesperadamente, tentando lhe avisar e ensinar, e que por muito tempo permaneceu em seu caderno amarelado da  Memória...

...tal o que aqui rumino, mastigo... tal o que neste momento gero e regenero!"


                                                                                                         Ebrael Shaddai.


De Ebrael ... Para Ladyanne

O título já diz exatamente para quem foi escrito este post. Não vou ficar com os rodeios típicos da revelação de Amigo Secreto a que estamos habituados. Mas, como faz tempo que não participo de um Amigo Secreto...

Um presente para quem conhecemos, quando o revelamos entre os pacotes, já é quase óbvio a respeito do que seja. Mas, e um presente virtual?? Qual gosto ou aparência pode ter para quem o recebe?? Um presente virtual pode não ser palpável, mas apenas o coração o sente. Quando o presente é virtual, por si só, já revela que pouco ou nenhum contato temos (contato presencial) com aquela pessoa. Então, diferentemente de outras ocasiões, já não surpreendemos a quem presenteamos, e sim surpreendemos o presente. Como assim??

É como se, amarrando uma venda aos olhos do presente, quiséssemos testar o presente em relação a quem ele foi destinado. O presente irá gostar, irá se adequar àquela pessoa?? Aquele mimo lhe servirá na alma?? Vemos, pois, que nosso mimo adquire vida própria!!

 Minha amiga secreta (não mais, pelo título) faz parte do círculo de minhas amizades no dIHiTT. Ela é meiga, simples, discreta e tem um sorriso iluminado e vivo, desses que somente encontramos ao Sol do Nordeste brasileiro. É a Ladyanne. Muitos a chamam de Lady. Está conectada à Web, principalmente, por seu website http://ladyanne.webs.com/ e por seu trabalho autônomo como Web Designer.

Aprendi que o melhor presente que poderemos dar a alguém é lhe fazendo o melhor do que está em nós. Como considero a poesia algo que já corre livre em mim, com certa habilidade, esteja entregue em mãos a você, Ladyanne, meu presente de Boas Festas, como voto de minha amizade por você e um desejo sincero de felicidade.


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Há quem desperdiçe sorrisos,
E esse é um crime, desde que não se queira sorrir.
Há quem negue um sorriso,
Egoísmo esse condenável em seu próprio rosto!!
Há quem, apenas, transfira um sorriso,
Copiando e plagiando o sentimento alheio.


Mas, no âmbito disso tudo,
Com o passar dos anos,
Aprendemos a reconhecer
A quem cujo sorriso não corre em vão
Ladeira da Vida abaixo;
Tal sorriso, como o seu, Ladyanne,
Não é restrito a meias palavras,
Não são meios-sorrisos;
Seu sorriso não é um eco de outros,
E sim ecoado pelas paredes e flores ao seu redor.


Um beijo ambiente,
Uma dádiva sem preocupação
De dar ou receber,
Um segredo e protótipo seu
Ao inaugurar uma nova manhã do seu semblante.


*******************************


Beijos no seu coração lindo, Ladyanne!! Muitas felicidades em mais um ano de sorrisos!! E claro: as divida com todos nós, que te queremos bem!!


Ebrael.

Apenas uma hora por dia..







O que voce faria se tivesse uma hora por dia, somente para voce?

Voce tem 24h a cada dia.

Agora, comece a descontar as horas já comprometidas com as obrigações e as necessidades que escolheu para sua vida:

- ................h  para dormir        
- ................h  para trabalhar
-................h  para tomar banho
-................h  para se alimentar
-................h  para se vestir
-................h  para estudar
-................h  para ver TV
-................h  para navegar na net, responder e-mails
-................h  para telefonar
-................h  para cuidar dos filhos
-................h  para fazer compras
-................h  para cozinhar, lavar louças
-................h  para ficar com amigos e familiares
-................h  para ficar no transito
-................h  para ficar na fila
-................h  para ler jornais e revistas
-................h  para ir à academia
-etc.

Quantas horas restaram ao final?

Se voce tivesse apenas uma hora por dia somente para voce, totalmente livre das obrigações, o que faria ?



A necessidade de ter razão


A necessidade de ter razão




Nós gostamos de ter razão.

Mais que isso: sentimos a necessidade de estarmos com razão.

Não haveria sentido, se nossa existencia tivesse como finalidade estarmos errados.

Cada vez que nos envolvemos em conflitos ou discussões, estamos querendo provar que estamos com a razão.

Essa tendencia de querer estar com a razão muitas vezes nos faz perder a perspectiva.

Nessas situações, estranhamente, queremos ter razão sobre nossas proprias limitações.

Quando  eu digo "eu sou desorganizado",  "eu sou ansioso", "eu sou timido", etc., eu quero ter razão.

E assim, sem perceber, começo a procurar fatos em minha memoria para sustentar essa ideia: "está vendo, como tenho razão?"

Faz sentido eu ter mesa limpa, armarios em ordem, sendo capaz de encontrar rapidamente as coisas que quero, tudo anotado e programado na minha agenda, etc. e dizer que sou desorganizado?

Repare nas pessoas que dizem "eu sou ansioso" por exemplo (todos nós conhecemos pessoas assim -- percebeu como tenho razão?).

Repare como elas fazem questão de provar a todo momento que são ansiosas.

Não é interessante? A menos que voce seja uma delas...




Difícil Encontro




















Jazem na carne imberbe da Natureza,
De um quinhão escondido e guardado,
Suas linhas florais, proibidas e prometidas,
Seus gritos vermelhos de Cravo, ao Céu de Afrodite...
Antes que o Amor passe, chora, range, se rende!!


Sempre distante, brava, com espinhos que se eriçam..
 - Vai-te, Rosa, a perfumar o sonho rubro!! Apressa-te!!
A ágata em flor se ergue, bravia, olhar tórrido,
Para tuas sedas vermelhas, carinhos em cascata.
Somente o vento pode uní-los, é fato
Que a dor é santa, e furiosa a brasa da Paixão...

SÓ VOCÊ PODE MUDAR SUA VIDA







Deus ajuda, mas nos delegou o poder do livre arbítrio para escolhermos os caminhos a trilhar, caminhos estes que nos levam aos nossos RESULTADOS, nada mais frutos de nossas escolhas de hoje.
No entanto nossas escolhas dependem de como nos sentimos, de quão pro ativos somos,de como interpretamos os fatos.
Qualquer pessoa gostaria de se sentir 100% motivada, entusiasmada,100% do tempo,mas isto não acontece.
Nossas necessidades básicas de crescimento e de reconhecimento nos levam à eterna insatisfação com o que temos, com o que somos, assim vivemos à procura de aprendizado, crescimento e mudanças, rumo à nossa evolução, a não ser que nos enganemos prostrados diante das inúmeras oportunidades colocadas à nossa frente pelo Criador, virando as costas e nos desculpando e nos omitindo atrás da efêmera justificativa: “É sofrendo que ganho o paraíso”.
Você, como herdeiro legítimo do Criador está aqui para REALIZAR, para MUDAR, para CRESCER, para EVOLUIR, para ser FELIZ
Nenhum Pai ficaria feliz em ver seu filho sofrendo, deprimido,TRISTE.
Então a pergunta é “O que nos impede de mudar ?”
Os dois fatores determinantes da mudança e do caminho rumo à felicidade são:
1- Nossos sentimentos em relação às coisas – A forma como nos sentimos em relação aos fatos do nosso presente, é influenciada por acontecimentos emocionais do nosso passado, como alegria, tristeza, traumas devidos a maus tratos,estupro, perda de ente amado, amor próprio ferido, etc.
2- A forma como agimos em relação às coisas,ou seja, nossos COMPORTAMENTOS. Quantas vezes as pessoas estão insatisfeitas com seu peso, e continuam a comer,“tentam” parar de fumar, se livrar de drogas, insônia, depressão e não conseguem.
A boa notícia é que esses comportamentos e esses sentimentos podem ser mudados de forma muito rápida. Há um paradigma, mudanças efetivas somente ocorrem com muito tempo de dedicação, deve-se sofrer, exige muito esforço e então as mudanças começam a acontecer lentamente. Nada disso precisa acontecer, não precisa ser assim, pois da mesma forma que um trauma ou um comportamento é adquirido instantaneamente, estes também podem ser eliminados muito rapidamente.





Todas as mudanças efetivas e definitivas em nossas vidas ocorrem ao associarmos um motivo emocional a elas.
O fumante deixa o vício ao ouvir o médico dizer que seus pulmões estão comprometidos e não há alternativa, que a qualquer momento poderá falecer.
O alcoólatra deixa a bebida quando um filho de forma emocionada lhe pergunta porque está se matando, se não o ama o suficiente para largar o vício.
A efetividade do motivo emocional originando mudanças é muito maior quando associamos a este a DOR das conseqüências trazidas a nós mesmos e às pessoas que amamos.
Devemos então determinar um novo comportamento ou hábito em substituição e associar o PRAZER, os benefícios e ganhos decorrentes desta mudança.





Assistimos o poder de cada ser humano em mudar a si mesmo através do recurso adequado, o poder da mudança imediata da ESCURIDÃO da incerteza, da desmotivação, da auto piedade, da depressão; para a LUZ da certeza, da motivação,da determinação,da pro atividade.







ACREDITE, você pode mudar, se dê a chance !

Eugênio Ferrarezi




Reescrevendo a História: Des-cobrimento do Brasil.

Como mais uma criança (e ainda sou uma Criança Grande), eu gostava de simular o que teria acontecido em uma história se essa mesma história não tivesse acontecido de tal maneira. Escrevia, simulava, abstría sobre como ocrreriam as coisas de uma outra maneira, assim como fantasiá-las.

Costumava brincar de repórter e correspondente internacional em fatos importantes. Como seriam as coberturas jornalísticas de fatos como ...??

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Des-cobrimento do Brasil (reportagem exclusiva do Jornal Nacional  de 22/04/1500):

"Por imagens de uma câmera escondida, flagramos a chegada de uma comitiva de portugueses sem-terra, seguida de uma negociação suspeita com índios nessa praia da Bahia. Percebemos, pelas imagens, que os suspeitos parecem esconder algo por dentro da roupa, já que o calor é infernal e considerando não haver água num veículo a vela como aqueles usados pelos estrangeiros.


A tal comitiva, transportada em três veículos toscos,  à vela, aparentemente sem higiene alguma, era formada de elementos, ao que parece, dos mais variados gêneros: heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transsexuais, assexuados, padres, compadres e cães com pênis mutilado. 


Estariam os aborigenes interessados em contrabando de roupas, vindas diretamente da Europa, sem pagar impostos?? Estariam esse traficantes visando o cultivo de maconha nas terras indígenas??


O Chefe da Polícia Pré-Federal Pré-Histórica, ao ser questionado sobre as investigações, disse ser difícil o indiciamento de tais indivíduos, já que o litoral é extenso e a categoria encontra-se, no momento, em campanha salarial, pois recebe seus salários por meio de mandioca, guaraná e ervas exóticas. Quando perguntado sobre quais ervas ele falava, disse que não sabia enumerar todas, mas que não passavam de duas. Mas disse ainda que os responsáveis por eventuais excessos seriam responsabilizados. Não faria nada hoje, pois hoje, 22 de abril, está destinado a ser feriado. E nada, nem na Capital do Faz-de-Conta, funciona em feriado. Em dias úteis, e apenas em dias úteis, fazem de conta que funcionam!!


Esse é mais uma reportagem em primeira mão!! Detesto Palha (clone de Ernesto Paglia), direto da praia do Des-Cobrimento do Brasil, para o Jornal Nacional!! William Bonner!!"

 William Bonner:

 - Obrigado, Detesto!! Outras notícias você terá no Jornal da Globo ou ao longo de nossa programação. Fique agora com mais um capítulo da novela Trapinho das Índias. Boa noite!!

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Fonte da charge: http://escolas.trendnet.com.br/mostrasjose/7bdesenhogeom2/cabral7.gif

Livro - O Pai do burros: Frases feitas que a gente escuta (e fala) todos os dias, mas podia evitar





Não digo que "O Pai dos Burros" (Arquipélago Editorial) é daqueles "livros que não se consegue largar" porque isso pode soar como ofensa, ou no mínimo uma afronta ao autor, o jornalista Humberto Werneck. É que esse mineiro, que também assina "O santo sujo - A vida de Jayme Ovale" (CosacNaify), eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como a melhor biografia de 2008, se ocupa há quase 40 anos em anotar, guardar e quebrar ao meio frases feitas como a acima citada. Dessa pesquisa saiu o dicionário, com mais de 4.500 expressões espalhadas pelos 2.000 verbetes da obra, apresentados em ordem alfabética a partir da palavra-chave. Pérolas que a gente escuta (e fala) todo dia como "façanha sem precedentes" ou "múltipla faceta" nos faz sentir meio burrinho mesmo. Mas, graças a Deus, protegido pelo pai.


A obsessão do autor em juntar essas fórmulas prontas (anotava em guardanapo, maço de cigarro ou no que estivesse ao alcance) é a prova de uma "preocupação sadia" (essa pode entrar na próxima edição do livro!) com a linguagem. Humberto é reconhecidamente um dos melhores textos do jornalismo brasileiro. E é famoso, justamente, por retorcer a frase-feita, dando-lhe um sentido original. Porque dizer que a vida está de "vento em popa" não tem o menor charme, mas o contrário, de que está de "vento em proa" é mesmo bem interessante.


Para chegar até "O Pai dos Burros", Humberto vem num longo caminho de fórmulas prontas. Leu "Dicionário das idéias feitas", de Gustave Flaubert (1952), e "Lugares-comuns", de Fernando Sabino (1974). Passou um bom tempo da vida, e talvez ainda passe, obcecado em catalogar frases e mais frases. "Inclui coisas novas até o último minuto possível no processo de edição e já tenho novas anotadas", diz o autor.


Seu olhar está tão treinado que Humberto identifica fácil o nascimento de um lugar-comum. Afinal, "as expressões só se gastaram por terem sido, um dia, luminosos lugares-incomuns, a partir daí repetidos até a exaustão semântica". Ele diz, por exemplo, que até vai sua memória os "porões da ditadura" e os "anos de chumbo" que a gente lê tanto por ai são criações do jornalista Augusto Nunes, lá pelos anos 1970, na revista Veja. "O problema é que a imitação é sempre tão menos talentosa", diz Humberto, que lança na entrevista a seguir o convite à reciclagem das palavras.

Segundo a pensadora alemã Hannah Arendt:



“Clichês, frases feitas, adesão a códigos de expressão e conduta convencionais e padronizados têm a função socialmente reconhecida de proteger-nos da realidade, ou seja, da exigência de atenção do pensamento feito por todos os fatos e acontecimentos em virtude de sua mera exigência. Se respondêssemos todo o tempo a essa exigência, logo estaríamos exaustos.”


Mais do que se transformar em um guia proibitório de palavras, “O Pai dos Burros” pretende recomendar uma despretensiosa desconfiança durante o ato de criar e escrever. As fórmulas prontas são o conforto medíocre de quem prefere não se arriscar com o desconhecido. Como Werneck diz, nada que saia tão facilmente pelos dedos, de forma automática, costuma ser verdadeiramente bom.


Portanto, “não fique profundamente abalado” se descobrir que vários dos seus termos preferidos, que “estão na ponta da língua”, integram o dicionário. “Sem sombra de dúvida”, o que você precisa fazer é “arregaçar as mangas” e “dedicar-se de corpo e alma” para reciclar o vocabulário com sua “imaginação fértil e “fugir do óbvio”.


Não “adianta chover no molhado”, encare a “árdua tarefa” “aproveite o ensejo” em busca dos segredos de uma “receita de sucesso”. O livro“não é um divisor de águas”, mas certamente compila uma “vasta documentação” que exercerá “sérias consequências” no seu modo de escrever. Caso contrário, “fica o dito pelo não dito”.





Bate papo com autor:


UOL: Por que colecionar lugares-comuns? 

Humberto Werneck : Sempre fui obcecado pela eficiência da linguagem, e radicalizei quando fui trabalhar no "Jornal da Tarde", de 1970 a 1973. Havia lá uma preocupação extrema com o texto. A gente fazia o que se chama hoje jornalismo literário. Era preciso evitar expressões que, de tão batidas, perderam o sentido. O papel do jornalista é mostrar o novo, e não tem cabimento tentar dizer o novo com linguagem velha. Para passar a informação, é preciso seduzir o leitor, e linguagem velha não seduz. Eu não tenho religião, mas tenho uma padroeira: Sherazade, a moça que salvou o pescoço porque soube seduzir o sultão com suas palavras durante 1001 noites. Nem tanto pelas histórias que contava, mas pelo modo de contar. Quando o leitor me abandona no meio do texto, ele está me decapitando.

No prefácio você explica que uma frase só entra pro hall dos lugares-comuns porque um dia já foram incomuns. 


Humberto Werneck : Sim, são coisas que foram novas e deixaram de ser. Como tenho um olho bom para defeitos (não necessariamente os meus, esses muitas vezes me escapam), comecei a tomar nota de lugares-comuns, sem saber bem para quê.

Qual foi a sua principal fonte? 

Humberto Werneck : A imprensa. Mas no meu livro tem muitas expressões que ouvi por aí, às vezes em circunstâncias bizarras - até mesmo em velório, acredita? Na época, tinha umas "febres", acordava no meio da noite para anotar lugares-comuns. Às vezes o sentido do que estava lendo chegava a me escapar, tamanha a preocupação em caçar fórmulas prontas.


E como pessoalmente você se relaciona com os lugares-comuns? 

Humberto Werneck : Falando, certamente digo lugares-comuns, mas ao escrever procuro evitar. O uso do lugar-comum denota preguiça, falta de imaginação e insegurança. É escolher a facilidade do caminho já trilhado. É usar o velho tal qual, sem a inventividade e a graça que os brechós verbais nos oferecem.


Então há um modo de usar bem o lugar-comum? 

Humberto Werneck : O livro não tem caráter policial. Não é um "não pode", é um "se liga". Defendo o uso criativo do lugar-comum. A proposta é de reciclagem. Desarticular o comum e, como num Lego, fazer outra figurinha com ele. Criar lugares-incomuns.


Algumas pérolas
"O mundo todo não vale o meu lar"
"Jurar de pés juntos"

"Num futuro próximo"

"O futebol é uma caixinha de surpresas"
"Ter um grande futuro pela frente"
"Aproveitar o ensejo"
"Com a voz embargada pela emoção"
"A vida é feita de pequenas coisas"
"Por N motivos"


"O Pai dos Burros - Dicionário de Lugares-Comuns e Frases Feitas
Autor: Humberto Werneck
Arquipélago Editorial

205 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90